Agora chamam-lhe economia circular

Francisco L. Bermúdez Grau em economia pola USC

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A economia circular pegou ultimamente numha enorme popularidade e hoje está naturalizada nos discursos político e académico. Grosso modo, a economia circular é um modelo alternativo de produçom e consumo que aspira a previr impacto ambiental e criaçom de resíduos ao prolongar a vida dos produtos e reduzir o consumo de recursos no possível, apostando pola reutilizaçom ou o consumo de proximidade, por exemplo. A proposta da economia circular nom é tam inovadora por quanto bebe dumha longa tradiçom académica que aponta aos limites ambientais do planeta, mas também dumha longa história da humanidade a lidar coa escasseza.

Umha das propostas concretas da economia circular tem a ver co empaquetado excessivo que cria resíduos sem necessidade. Esta medida, a priori, nom suporia um choque demasiado grande para a economia, mas obrigaria a mudar os nossos hábitos de consumo mais do que parece. Nom é raro escutarmos dizer respeito disto “isso foi assim sempre, mas agora chamam-lhe economia circular!” e estám no certo. Até nom há tanto as tabernas davam os produtos a granel: quer café quer açúcar, envolvidos em papel; para o vinho cada um levava a sua garrafa, e até o pano do queijo era lavado e devolvido.

Naquela altura, a vida continuava, mas nom há que idealizar o passado. Aquela realidade nom era tam cómoda coma a atual, especialmente se tivermos em conta que todo aquilo era sustentado graças a umha grande quantidade de trabalho invisível maioritariamente feminino. Hoje, as condiçons já nom som as daquela e de facto as famílias já nom dispóm de horas suficientes para manterem aquela forma de consumo. Temos pouco tempo no dia e quando temos tempo de lazer também o queremos aproveitar, e é legítimo! Alternativas mais sustentáveis de consumo nom desaparecerom, mas ficarom marginadas. A autoproduçom para quem tiver umha pouca terra persiste. Há cooperativas de consumo, mas demandam dedicaçom. Até a compra em mercados locais pode ser inconveniente em funçom da hora ou do dia. Ademais, sempre dispomos de alternativas baratas e acessíveis: os supermercados, com o que as outras alternativas ficam só para os militantes da sustentabilidade e nom a maioria da populaçom.

Acredito que o modo de produzirmos e consumirmos tem de mudar se quigermos garantir recursos para o futuro e fazermos sítio aos mais pobres do planeta, que podem precisar desses recursos mais do que nós. Contudo, até as medidas mais simples tornam inúteis se forem incompatíveis co atual modo de vida. Umha dimensom que acho fundamental mudar tem a ver com o uso que fazemos do tempo. Trabalhamos por demais e isso fai com que nom tenhamos possibilidade ou motivaçom para involucrar- nos com formas mais sustentáveis e até mais económicas de consumo. Além disto, menos trabalho pode aumentar o nosso bem-estar e reduzir a ansiedade, reforçar a nossa vida social e até reforçar as comunidades locais. E trabalhar menos supom cobrar menos? Nom necessariamente, tudo depende dos mecanismos de reparto de renda que estabelecermos.


Curriculum de Francisco López Bermúdez

Grau em economia pola USC com o mérito “Premio extraordinario de grao”

Mestrado em “Desenvolvemento Económico e Innovación” pola USC com o mérito “Premio extraordinario de mestrado”

Desde 2020 Investiagor pré-doutoral contratado na USC e bolseiro pré-doutoral da Xunta de Galiza. A investigar sobre economia circular e sustentabilidade.